18 de maio de 2017

Poema publicado em livro didático

Gente, olha que novidade bacana quero partilhar com vocês. Algum tempo atrás a Editora Positivo fez contato comigo  solicitando autorização para utilizar um dos meus poemas publicados  aqui no blog, a fim de fazer parte de um livro didático para o oitavo ano do Ensino Fundamental. Hoje recebi um exemplar para apreciação. Que alegria, emoção ver o meu poema, produzido despretensiosamente em meio a uma das minhas madrugadas insones fazendo parte de uma das editoras mais conceituadas, sendo objeto de análise   dos jovens estudantes! Um presente para quem ama poesia e já não está em sala de aula. 
Como escreveu o amado Quintana 
"Os poemas como pássaros ...
alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto;
alimentam-se um instante em cada
par de mãos e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti."





16 de maio de 2017

Confiar

Fonte:http://pt.wikihow.com/Confiar-em-Seu-Namorado


Confiar é fiar juntos
Comungar assuntos
Traçar o plano
Tramar o pano
Atear a lenha, o fogo
O tear, a linha, o jogo
O novelo, o fio, o ponto
A novela fiando o conto
Os olhares olhando a dança
As mãos manejando a trança
As cores brincando, combinação
Atores brindando a mão, outra mão
Sonhar, segredos tecidos em confissão
Enfim, fiar sem medo, ter sido tecelão


Evandro Navarro
24/4/2017



30 de abril de 2017

Poeira

Fonte: http://www.missaofoiporvoce.com.br/home/abra-a-janela-do-teu-quarto/


É preciso tirar a poeira do sótão
Limpar a sujeira das frestas,
Lembranças obstinadas,
Abrir as gavetas enferrujadas do tempo
Polir os metais,
Energizar os cristais
Varrer a preguiça,
Encontrar a coragem
Para deixar o sol entrar,
E brilhar novamente
Iluminando o quarto vazio

Ana Lopes

Mais poemas da autora em  Blog Janela da Alma

21 de abril de 2017

Em fome pela Recoleta

Fonte: http://www.pureviagem.com.br/noticia/buenos-aires-a-noite-animada-da-capital-da-argentina_a20845/1


À meia noite, Buenos Aires é um delírio
De pólvora e concreto esfarelado
Quando a fome entra ligeira, garganta a dentro,
E cada metro percorrido
faz da calle Corrientes, um pedaço esquecido do mundo

Na próxima esquina, a do esquecimento inóspito,
dos chicas se devoram em meio às sombras da madrugada
Juntas, pulsam ao ritmo elétrico da boate fluorescente

Hay vivir solo, cabron
?Si, pero ya lo soy, che?

Pigarreio as horas
?Lo que puedo hacer, sonreir?

Dois meninos cambaleiam até um velho automóvel
El chico uno lleva gafas
O outro, um cacho de bananas nanicas
Que me doem de desejo
Me acosté con hambre los últimos tres días
E os faróis e estações caminham pela calle Santa Fe
Tudo converge para o vendaval que preenche
as cadeiras vazias do Rincon Norteño
Me gustaria una hamburguesa completa
Mi humanidad pide que mi hambre se va
A fome é o desejo de esfarelar o cotovelo gasto,
o arranhar da barba pela vitrine fedorenta na dispersão da noite,
o rasgo no saco de lixo tóxico na esquina com a calle Riobamba

Como son felices, no? Padre, Madre y chicos
Assim como o meu salto desgraçado pelo sistema métrico
que cruza o Oceano Índico
e termina a dois passos do Sul
em meio a transa dos trópicos

No puedo ayudarte, joven
Todos sabem que é impossível medir o desejo
Ou os passos entre a lua
e o pé do estômago

Un viejo me llama y lo escucho

?Usted sabe que es posible predecir el futuro cuando los zapatos inundan la Recoleta?
?En serio? Si, compañero,
Mesmo quando o passo recuerda la lluvia y saudade,
indivisíveis e crônicas

Por cima do seu ombro,
pois já não há mais ombros lúcidos em Buenos Aires,
encaro, atônito, o breu que colore
o melancólico dezembro

? Qué pasa, che boludo?
            Não há luzes de natal,
? Se volvió loco, hombre?
Como pode haver natal sem luzes coloridas?

Una chica sorri e sussurra entre dentes
Como se llama, brasileño?

Pero, não la escucho
Mis pensamientos são de las luces parpadeantes
Mis ojos ahora piscam sem cessar

Pues não adianta
nada mais adiantará
Ya que no hay hambre no porão
E Buenos Aires pode tentar
Mas jamais será o trópico leste do mundo 



Anderson Estevan é paulistano, poeta e jornalista. Autor de "Cores Primárias" (2013), pela editora Multifoco. 

20 de abril de 2017

Amor

Fonte: https://criativo2011.wordpress.com/2011/09/21/amor-e-desenho/


Amor é silêncio, é mania
É coisa que pula o portão
É flor que nasce no chão
Do coração
Amor é amendoeira Drummond
É planta de ribanceira, é nação
É roseira, é sombra de seringueira
No coração
Amor é parte, é inteiro e meio
É bicho de estimação, é leão
É remédio amargo, é melado
É destino certo, é rosa dos ventos
Pro coração
Amor é diverso, é diversão
É o escuro da noite, é clarão
É deserto, é vinte e cinco de março
É gente só, é multidão
Sempre coração
Amor é destino, é menino
É jabuticabeira, é um cacto
É sina, é sino, é um sinal
É bordado nas pontas, é fonte
É um belo horizonte, é sertão
É coração
Amor é doideira, é santificado
É reto, é incerto, é insano
É bicho da seda, é brigadeiro
Amor é completo, é fragmentado
É o fim é o começo é a estrada
Amor que é amor nos ama


Milton Oliveira

Maio/2015

19 de abril de 2017

Uma Vez Mais

Fonte: http://mensagens.culturamix.com/frases/frases-para-a-despedida-a-espera-pelo-reencontro


foi igual
ela se vestiu, ainda feliz
olhou de relance…sorriu
me apertou com um beijo
tímido, carente
e eu com um desejo
não do calor, não do presente
mas de amor
“ e a gente?”
me disse baixinho
pegou suas coisas,
olhou para trás
“ nem um carinho?”
uma vez mais…
eu quis olhar
eu quis tentar
ao responder
não fui capaz
acenei com a mão
ela se foi…fácil demais
difícil saber
até onde um não
chega a dar paz:
no fundo do querer
no raso do saber
de quem mente…
esconde o que sente
uma vez  mais.


Por Bruno Oliveira

5 de abril de 2017

O Mundo

Fonte: http://placebookmarks.info/pages/o/o-mundo/


O bom cabreiro deífico /
O obreiro da egrégio das obras /
O grande brejo /
O tudo /
O aqueceu, e o esqueceu, é o seu / Durante os sete kairos como as pragas / Como que por poros de Póros / Concebeu, espóros, erva /
Que desse empório de pomo, por inquérito /
O Império /
O caibro que sustenderia /
A guerra /
Entre anjos imortais e anjos imorais / Que até estes cronos imperaria /
O Dragão mezozóiquiano desovado da primeira lua /
Foi desossado /
Endossado por um cacete de K-T / Cruelmente /
Em seu vulcão, enclausurado sua destreza involúvel tua lavra de riquezas, lava /
O que tenta libertar-se de seu Sião / Com erupção, forma ignorante de erudição /
O primeiro elfo semeou sua fadada fada amada /
Fardada em sua farda de tegumento / Não como dada a tartaro, mas com dádiva de o testamento /
Semente de tamareira /
Sob o luar da lua vermelha de que arde como Marte /
Antes da era de o primeiro Adão / Héracles em Cartago, colher a primeira hera /
"Solo", ruge suas lágrimas que remexidas granulavam o solo que o cruze adoçaram parte do mar / Refletidas no anoitecer tão lustres posto o entardecer refundem-se em estrelas no primeiro céu, ilustres /
E eis que elas iluminaram dela as primeiras flores fada, cor de Sakura /

Por Saulo Tedesco

7 de março de 2017

Mulher

M  istura  força e doçura
U  m leão por dia costuma matar
L  iberdade : um direito e  uma conquista
H  ora certa não tem  pra dormir ou acordar
E  scolhe ser ousada ou recatada
R  ealiza sonhos sem ir pro altar.

Feliz  Dia da Mulher,  todos os dias!

2 de fevereiro de 2017

Amor

Fonte da imagem: https://blogmonasofia.wordpress.com/tag/lencois/



Hoje, dobrei lençóis, feito Amélia. Eles eram brancos, pastéis. O resto, xadrez. Como serão os nossos eu não sei. É clichê dizer que os penso rubros e sedosos. Bonito é crer que, antes do “parto”, arrumaremos nossos lençóis. Eles serão da cor que nós pintarmos. A cada instante, um tom intenso.

 Viviane Peter Casser